Oficina de Ideação para o Uso da Van do Núcleo de Voluntariado e do Comitê Pop Rua/Jus no TJMG
CONTEXTUALIZAÇÃO
No dia 22 de novembro de 2023, o presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, desembargador Luiz Carlos Corrêa Junior, e o superintendente de Transportes do TJMG, desembargador Júlio César Lorens, entregaram à superintendente do Núcleo de Voluntariado do TJMG e presidente do Comitê Pop Rua/Jus, desembargadora Maria Luíza de Marilac, uma van destinada ao trabalho desses órgãos. Nesse contexto, foi solicitado ao UAILab a realização de uma oficina de ideação para reunir a equipe com atuação no Núcleo de Voluntariado e no Pop Rua/Jus, em um momento de ideação para gerar o máximo de ideias possíveis para o uso da van, de forma mais inovadora e multifuncional.
METODOLOGIA
A metodologia escolhida para a oficina foi adaptada da etapa de “ideação” do Design Thinking. Uma abordagem centrada no ser humano para resolver problemas complexos. O objetivo é gerar o máximo de ideias possíveis, sem julgamentos, de maneira colaborativa. A ação é conduzida por facilitadores que orientam e incentivam a participação ativa de todos os integrantes do grupo.
A dinâmica da oficina de ideação envolve uma série de atividades que estimulam a criatividade e a colaboração, como brainstorming (tempestade de ideias), técnicas de visualização e outras atividades que incentivam o pensamento criativo.
Durante um workshop de ideação, os participantes são encorajados a pensar fora da caixa, a considerar várias possibilidades e perspectivas, a fazer conexões inesperadas e desafiar suposições. O objetivo é encontrar soluções criativas e inovadoras para problemas e desafios reais.
REALIZAÇÂO DA OFICINA
A oficina de ideação teve duração de três horas e foi realizada no dia 29 de janeiro de 2024 , conduzida pelas laboratoristas do UAILab Gisele Soaraes e Renata Marques. Foram três sessões de ideação: uma individual, outra em grupo e a ainda uma voltada para comissões temáticas que integram o Comitê Pop Rua/Jus. Essas sessões foram importantes para estimular diferentes formas de pensar, bem como para facilitar a geração de ideias.
As iniciativas foram apresentadas e discutidas entre os participantes. Foi feita a contextualização das Comissões temáticas, a clusterização das iniciativas nos templates e a demonstração da matriz de impacto e esforço para priorização futura por parte dos participantes.
Foi possível explorar o potencial criativo e multidisciplinar da equipe, o que resultou em um trabalho construído a várias mãos, com soluções para diferentes desafios.
Fase de ideação individual
Para iniciar os trabalhos na oficina foi proposto pelos facilitadores que cada participante colocasse o máximo de ideias possíveis em um template. A ideia era extravasar tudo aquilo que se vislumbrava como possibilidades para o uso da van. Não houve limitação quanto ao escopo ou possibilidade de implementação das ideias. Essa etapa, que também pode ser chamada de brainwriting, é uma ferramenta metodológica cujo objetivo principal é gerar o maior volume possível de ideias, em um período de tempo adequado aos objetivos da ideação. Para a atividade foram disponibilizados 10 minutos.
Fase de ideação em grupo
Nesta fase os participantes compartilharam as ideias criadas de maneira individual, identificadas na fase anterior. Depois da apresentação de todos, a partir da escuta das propostas dos colegas, novas ideias de iniciativas possíveis para a van foram geradas.
Fase de ideação baseada nas Comissões temáticas que integram o Comitê PopRua/Jus
Para a última etapa da fase de ideação, foi proposto que os participantes, coletivamente, pensassem em ideias para o uso da van de acordo com as atribuições das Comissões temáticas que integram o Comitê Pop Rua/Jus. A ideação contemplou iniciativas para atender as pessoas que estão tanto em situação de vulnerabilidade social quanto em situação de rua e suas interseccionalidades.
Foram realizadas 9 (nove) rodadas de ideação, organizadas da seguinte forma:
-Comissão para fomentar, no âmbito do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais - TJMG, o amplo acesso à justiça às pessoas em situação de rua e suas interseccionalidades, de forma simplificada, especialmente por meio de audiências públicas e mutirões;
-Comissão de interlocução e articulação interinstitucional, com foco nas políticas públicas sociais voltadas para as pessoas em situação de rua e suas interseccionalidades;
-Comissão de facilitação à identificação civil;
-Comissão para promoção de atendimento prioritário, desburocratizado e humanizado;
-Comissão de inclusão e proteção da mulher e da população LGBTQIAPN+ em situação de rua;
-Comissão para apoiar as políticas de inclusão e proteção da criança e adolescente em situação de rua;
-Comissão para o apoio de ações voltadas para a capacitação e trabalho das pessoas em situação de rua;
-Comissão de fomento dos direitos fundamentais e acompanhamento de pessoas egressas e pré-egressas;
-Pessoa em situação de vulnerabilidade social.
Nesta etapa, foi aplicado o brainstorming, que consiste na técnica de geração de ideias em grupo e tem como objetivo estimular a criatividade e a colaboração entre os participantes, com o intuito de gerar uma grande quantidade de ideias em um curto espaço de tempo. Não há julgamento das ideias, todas as sugestões são aceitas e registradas, sem críticas ou estimativas.
Fase de clusterização (agrupamento) das iniciativas: leitura e classificação nos templates
Os participantes agruparam as ideias de acordo com a pertinência à determinada Comissão temática. Este foi um momento de muita interação, trabalho colaborativo e possibilitou detalhar e visualizar sobre a viabilidade de cada ideia proposta.
1. Comissão para fomentar, no âmbito do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais - TJMG, o amplo acesso à justiça às pessoas em situação de rua e suas interseccionalidades, de forma simplificada, especialmente por meio de audiências públicas e mutirões
Caravana, ações conjuntas com Cejusc; utilização da van para atendimento de conflitos mediação/conciliação; utilização da van como local de ouvidoria para reclamar de ações na justiça, principalmente questões envolvendo guarda e pensão de filhos Transporte das PSR nos dias de mutirões, mas também em outras ocasiões, como eventos ligados à pauta; utilizar a van para atendimento nos programas da Rua de Respeito; utilizar a van para roda de conversas nos lugares de maior aglomeração;itinerante para assuntos diversos; mutirões;apoio nas ações dos mutirões, para abrigar serviços sem estrutura.
2. Comissão de interlocução e articulação interinstitucional, com foco nas políticas públicas sociais voltadas para as pessoas em situação de rua e suas interseccionalidades
Campanha para nome da van Campanha Dircom de boas práticas para doação e voluntariado; ter a van como uma marca de política institucional do TJ para Pop Rua; usar a van como início de outros veículos e equipamentos necessários ao atendimento do Pop Rua; usar a van para priorizar o dia do voluntariado Convidar Defensoria Pública para atendimento a PSR junto ao TJMG; usar a van em parceria com a Defensoria Pública para atendimento e encaminhamento Para divulgar as ações do Pop Rua com servidores/magistrados do TJ; usar a van para levar a propaganda do Pop Rua aos funcionários e juízes; arrecadação; van para instrumento de divulgação em grandes eventos; van para interior com divulgação das ações do Comitê Pop Rua; utilizar a van em parceria com outras instituições para facilitar o acesso à justiça Mês temático: sempre um tema diverso Objeto de parcerias institucionais, com órgãos públicos e entidades da sociedade civil – empréstimos ocasionais ou em projetos específicos Colaboração com outras entidades; banco de voluntários e campanha de divulgação e conscientização do voluntariado no TJMG, com servidores e magistrados; usar a van como ponto de apoio para ações que não são do TJ; transportar pessoas para conhecer as moradias sociais; atendimento à mulher em situação de vulnerabilidade para auxiliar quanto à violência doméstica; usar a van junto a projetos sociais que entregam alimentos para a PSR. A van estaria na prestação de serviços básicos como (...) orientações jurídicas.
3. Comissão de facilitação à identificação civil
Espaço para disponibilização de documentos de registro civil e outros; fazer os documentos ou listar as necessidades de documentos no local; banco de 2ª Via par vencer o desafio de manter/guardar os documentos; usar a van para emissão de documentos como RG, carteira de trabalho; usar a van em vilas e favelas para atender famílias vulneráveis com serviços de emissão de documentos, CadUnico e orientações previdenciárias e Cejusc; pontos de acesso para excluídos digitais; a van estaria na prestação de serviços básicos como segunda via de documento.
4. Comissão para promoção de atendimento prioritário, desburocratizado e humanizado
Ponto de apoio para sanar dúvidas sobre serviços públicos e direitos da população de rua; pequenos mutirões no interior; itinerante; levar a van para fazer atendimento no interior; levar atendimento itinerantes às comarcas da grande BH, dentro da realidade e necessidade de cada comarca Levar a van para lugares remotos, sem atendimento: van itinerante; atendimento às pessoas que se encontram em locais de difícil acesso; desenvolver a política de atendimento humanizado no interior.
5. Comissão de inclusão e proteção da mulher e da população LGBTQIAPN+ em situação de rua
Utilizar a van para levar às mulheres corte de cabelo e manicure; fazer “pop-ups” em locais de concentração da população de rua e horários alternativos LGBTQIAPN+ e o registro civil, mudança de nome, etc; campanhas de arrecadação de produtos de higiene; parceria com Transpasse da UFMG (mulheres trans); para comissão de mulheres seria interessante utilizar a van para um dia de cuidados com a mulher promovendo o acesso á justiça e o autocuidado; atendimento psicológico Distribuição de produtos de higiene, íntimos ou não Utilizar a van para inicialmente a mulher ser atendida para exames de mama e, na sequência, encaminhar para mamografia; conscientização das mulheres cis sobre as mulheres trans.
6. Comissão para apoiar as políticas de inclusão e proteção da criança e adolescente em situação de rua
Ações para verificar menores e outros vulneráveis em situação de rua e dar encaminhamento; parceria com a Assprom para cursos adolescentes; usar a van em projetos sociais ou escolas que atendam jovens em situação de vulnerabilidade para incentivar e viabilizar a emissão de título de eleitor (realizar junto ao TRE); itinerante para questões envolvendo crianças e adolescentes que estão fora da escola, principalmente Utilizar a van para dar reforço para crianças. extremamente carentes, 2 vezes por semana; usar a van em outros mutirões para orientar sobre outros projetos sociais do TJMG. Exemplo: CRP Itinerante.
7. Comissão para o apoio de ações voltadas para a capacitação e trabalho das pessoas em situação de rua
Loja itinerante; usar a van para integrar os motoristas do TJMG como parceiros do Pop Rua/Jus; parcerias com Senac e Senai para vagas de emprego Levar ofertas de trabalho; levar parceiros com ofertas de trabalho.
8. Comissão de fomento dos direitos fundamentais e acompanhamento de pessoas egressas e pré-egressas
Tomada para tornozeleiras; formação EJEF CFI e outras ações Orientação jurídica TJMG. Exemplo: orientação sobre o reconhecimento facial (SAREF); atendimento a apenados em livramento condicional, regimes abertos e semiabertos Atuar com um projeto-piloto da CEAC-BH com público de PSR, com equipe multidisciplinar; garantir que a van posse ser esse “elo” de acesso regular na centralizadade do projeto; pensar um tempo de execução do Projeto, com um Grupo X de PSR; acompanhar esse grupo durante um tempo, para saber se foi possível o seu não ingresso no sistema penal; traçar um plano individual de acompanhamento para cada PSR que tenha passado pela CEARC; projeto-piloto envolve uma atuação com algumas parcerias: APEC, CEAPA, PRESP, Pastoral, etc; o Plano Individual deveria apontar as principais necessidades de cada PSR, e que deverão ser reportadas a cada serviço; articular a ação da van em parceria com a van do Consultório de Rua de BH, visando o estudo de caso com o grupo do preso.
9. Pessoa em situação de vulnerabilidade social
Utilizar a van 2 vezes por semana para vacinação; ações para levar atendimento (médico, etc) para PSR; usar a van para fazer, junto à saúde campanhas de conscientização sobre doenças diversas. Ação seria junto a faculdades de medicina e secretaria de saúde; usar a van para fazer, junto à saúde campanhas de conscientização sobre doenças e cuidados com pet; usar a van para transporte de idosos e vulneráveis para saúde; serviços de saúde parceiro: PBH. Exemplo: vacinação em época de campanha ou não; espaço de oficina para grupos de PSR e instituições Serviço de saúde. Parceiro: faculdade de odontologia. Serviços dentários rápidos como escovação, limpeza, etc.; espaço de oficina para grupos de PSR e instituições (para identificar novas oportunidades de uso da van); espaço disponível para PSR divulgarem a sua arte, podendo servir de “museu” itinerante ou não; ação literária, tarde contando histórias com distribuição de livro e materiais para pessoas; ações culturais parceira com artistas para levar a arte às pessoas em situação de rua; utilizar a van como biblioteca itinerante Van para eventuais apresentações musicais à população de rua; realizar ações preventivas nas ruas, por exemplo desestimular o uso de álcool e entorpecentes; ações voltadas à capacitação de pessoas em situação de rua com transtorno mentais Rodadas na cidade, em parceria com instituições, para entrega de marmitas e outros itens Acompanhar projetos beneficiados com a verba de prestação pecuniária; usar a van para acompanhar trabalhos voluntários de grupos variados. Cresap, parceiros ou não. Entrega de cobertores ou outro tipo de doação.
A clusterização das ideias permitiu visualizar e sistematizar as diferentes áreas de atuação em potencial da van. Após o agrupamento, foi demonstrada aos participantes a matriz de impacto e esforço para priorização futura das ideias. A matriz propõe a classificação das ideias em dois eixos: nível de esforço; nível de impacto. Assim, de acordo com o impacto gerado e o esforço despendido, é possível priorizar atuação e otimizar os resultados. A priorização das ideias é o processo de avaliação das iniciativas sugeridas. A partir da dessa etapa é possível determinar quais sugestões são mais relevantes e importantes para a resolução do problema ou desafio em questão.
Resultado da oficina
Os participantes produziram nove templates com ideias para atender pessoas que estejam em situação de vulnerabilidade social e/ ou situação de rua e suas interseccionalidades. As ideias foram agrupadas de acordo com a atuação das Comissões temáticas que integram o Comitê Pop Rua/Jus. A matriz de impacto e esforço pode ser usada para priorização futura das ideas pelos participantes.
CONCLUSÃO:
A realização da oficina de ideação ajudou na escuta da perspectiva individual da equipe com atuação no Núcleo de Voluntariado e no Pop Rua/Jus. Foi ainda uma oportunidade para que os participantes pensassem, de maneira colaborativa , na melhor maneira de usar a van, para que o veículo se torne um espaço útil, humano, de oferta de serviços e inovação. A oficina permitiu o encontro dos participantes no desenvolvimento de uma ação coletiva. Um momento de concentração, com foco no objetivo de identificar a melhor vocação para a van do voluntariado. O time UAILab incentiva a colaboração entre os diversos setores da instituição e acredita na parceria com outros órgãos. Entendemos que metodologias como “Design Thinking” sejam ferramentas promissoras na identificação e resolução de problemas. Os participantes avaliaram a oficina como positiva, produtiva e sinalizaram que gostaram da atividade: “Adorei a diversidade dos participantes!”; “Abrir o pensamento e multiplicar opções”; “Foi ótima e esclarecedora”; “Gostei de tudo”; “Muito produtiva”; “Gostei do processo de criação”; “Muito importante o método e a condução, além da escuta atenta as ideias quanto ao problema apresentado”; “Parabéns a todos envolvidos”; Gostaria que fosse acrescentado maior tempo de oficina”. Agradecemos o convite para atuação como facilitadores e reforçamos nossa disponibilidade para projetos futuros. Desejamos continuar trabalhando na disseminação do "DT", conceitos e métodos inovadores para que, por meio do ensino, o Poder Judiciário se torne, cada vez mais, um ambiente humanizado e inovador
- E-mail do laboratório: uailab@tjmg.jus.br